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domingo, 13 de novembro de 2016

Bem aventurados sejam os aflitos, pois a eles será dado o conhecimento.

 Ao Senhor Supremo, cuja forma é a encarnação da existência eterna, conhecimento, e bem-aventurança.
... e está revelando a aqueles que estão absorvidos em Seu conhecimento supremo, que ele é apenas conquistado por devotos cujo puro amor é impregnado por intimidade e é livre de todas as concepções de temor e reverência (="reverence"). Com grande amor eu novamente ofereço minhas reverências (="obeisances") ao Senhor Damodara centenas e centenas de vezes. 
Que esta bela visão de Sua face de lótus seja sempre manifesta em meu coração. Milhares e milhares de outras bênçãos são inúteis para mim.

Chaitanya Mahaprabhu exibindo sua Forma Universal a Advaita Acharya

Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura esforçou-se vigorosamente ao longo de sua vida para garantir que entendêssemos que a concepção artificial deles de dharma não é a concepção proposta por Sri Caitanya Mahaprabhu. Somente o empenho para espalhar de uma maneira simples os ensinamentos de Caitanya Mahaprabhu, estando cuidadosos para não os manipular nem levemente, será nosso único bhajana. Mas se uma pessoa espera até que se torne perfeita antes de disseminar aqueles ensinamentos, ela estará privada do serviço de ensinamento. Certamente, ela permanecerá naquele estado imaturo ao longo de toda sua vida.

Então, inspirado por Sri Mahaprabhu, Ramananda Raya falou a próxima verdade mais elevada: “krsne karmarpana – sarva-sadhya-sara - oferecer a Sri Krsna os resultados da ação de alguem é a essência de toda a perfeição." Embora oferecr os resultados das atividades de alguém desta maneira não seja o caminho para obter krsna-prema. Para transmitir isso, Mahaprabhu disse, "eho bahya, age kaha ara - isto é externo. Por favor conte-me um conceito mais alto que isso."

"Quando eu houver oferecido isso, o Senhor pode aceitá-lo. Se Ele pode aceitá-lo, isso só significa que ele pode comer enquanto também concede benção. Certamente, portanto, Ele não poderia estar desprovido de características."

O despertar deste tipo de entendimento invoca um humor (bhava) que pode resgatar alguém do controle da impessoalidade e ajuda-la a manter-se estável em uma concepção pessoal de Bhagavan. 

Sobre Baghavan - mais um conceito holístico (exraído do endereço http://www.yoga.pro.br/artigos/1076/3019/quem-e-bhagavan):

"'Total e absoluta suserania (soberania), aiśvarya , poder, vīra, abundância, śrī, desapego, vairāgya, fama, yaśas, e conhecimento, jñāna, são conhecidas como bhaga'.

Bhagavān é ilimitadamente poderoso, anantavīrya. Todos este cosmos, toda esta manifestação é prova de poder, śakti. O poder que deu origem à materia, o poder que existe para sustentar a matéria e o poder necessário à resolução. Bhagavān tem este poder levado ao infinito, ele mesmo é o infinito, ananta.

Bhagavān é fonte inesgotável de todos os recursos, de toda a abundância, de toda a riqueza, śrī. O homem durante o seu período de vida acumula bens materiais que ficam quando ele parte, quando morre. Na realidade toda abundância, śrī é Bhagavān. A água dos oceanos, o ar que respiramos, todos os seres vivos, o Sol, toda essa abundância de recursos é Bhagavān.

Bhagavān é também aquele a quem nenhuma lei se impõe, ele é o somatório de todas as leis, a causa de todas as leis, ele 'é' também na forma de leis. Bhagavān é o único senhor absoluto e detém a qualidade chamada aiśvarya, total soberania. Podemos dizer que é o grande Imperador. O ser humano que é dotado de grande inteligência, capacidade e meios para a usar, apenas pode usar as leis presentes na manifestação.

A engenharia é um exemplo desse uso,  a biologia é outro exemplo, a química mais um exemplo. Em todos estes exemplos, nunca o homem foi o criador de uma sequer lei, descobriu-as mas não as criou. Usa-as mas não as modifica. Equaciona-as mas não as transforma. Aquele que tem o controlo absoluto é Bhagavān."

Sobre a natureza tatashta das almas (="energia marginal da qual é feita as almas individuais")

No Hinduísmo taṭasthā-śakti é energia espiritual de Deus, mas marginal, e seres vivos (Jiva, Atmas) têm alguma relação com esta energia. Embora eles sejam eternos, a posição deles é de energia marginal - entre baixa energia material e alta energia espiritual. Em outras palavras, taṭasthā-śakti está entre energia externa (material) e energia interna (também eterna e espiritual) de Krishna Svayam Bhagavan. Em Caitanya Caritamrta, Madhya, verso 6.160 estão enumerados estas três energias:

A potência espiritual da Suprema Personalidade da cabeça de Deus também aparece em três fases - interna, marginal e externa.

Outro verso (Caitanya Caritamrta, Madhya, 8.152) fornece mais informação:

Em outras palavras, estas são todas potências de Deus - interna, externa e marginal. Mas a potência interna é a energia pessoal do Senhor e prevalece sobre as outras duas.

Então jivatma (seres vivos) nunca são iguais à Suprema Cabeça de Deus, e estão sempre subordinados a Ele. Acima de tatastha shakti está a energia Interna de Krishna.

Preceitos elaborados por Caitanya Mahaprabhu para conduzir ao amor a Sri Krsna e obter prema-bhakti:

Krishna é a Verdade Absoluta Suprema;
Krishna é dotado de todas as energias;
Krishna é o oceano de rasa (teologia);?
As jivas (almas individuais) são todas partes separadas do Senhor;
Em estado vinculado, as almas estão sobre influência da matéria devido à sua natureza tatashta.
Em estado liberto, as almas são libertas da influência da matéria, devido à sua natureza tatashta.
As jivas e o mundo material são ambos diferentes e idênticos ao Senhor.
Devoção pura é a prática das jivas.
Amor puro de Krishna é o objetivo último.
Krishna é a única bênção amável a ser recebida.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Princípios divinatórios da yoga

O ascetismo indiano impunha a relação do eu com o si-próprio, em um esforço místico de aproximar o ser humano a Deus. 

A yoga era praticada desde a proto-história indiana, e seus ensinamentos eram mantidos por um antigo colégio de sábios videntes. Através de práticas de ascetismo, o yogue reconhece a sublime interdependência entre o eu-autônomo e a consciência divina. Intensificada esta sensação de interdependência, a ilusão egoísta do eu-autônomo é desfeita, dando lugar à noção de criatura passa a ser emerge na consciência do yogue.

A noção de criatura é holística à medida que conecta o ser humano a uma Inteligência e Sabedoria superiores, como elemento menor de um grande arranjo ou desenho cósmico. A sociedade deixa de aparecer como um fenômeno a serviço do indivíduo.

O asceta reconhece que as todas as circunstâncias e condições de sua vida presente são resultado de decisões e escolhas realizadas previamente. Este princípio ativo-reativo, também conhecido como a Lei do Karma, explica as discrepâncias entre talentos individuais e coloca o indivíduo como responsável por seu destino à medida que é livre para exercer em ação a sua vontade. A análise profunda de causas e consequências revela-se coerente também ao nível do pensamento, pois é através de energias psíquicas positivas que a mente humana estabelece uma realidade própria que seja satisfatória.

A cosmogênese de uma sociedade holística geralmente estabelece que os seres vivos sejam realizados por graça divina. A dieta que assassina um exemplar vivo do princípio anímico universal, quando em consubstanciação no corpo humano, é causa de desequilíbrios. Este o princípio de ãhimsa - ou princípio da não-violência estabelece que o ser humano, ao se alimentar de ser vivo assassinado, está assassinando a uma fragmento diminuto, mas da mesma substância de Deus; e além disso, quando seu alimento vegetal não é consubstanciado em oferenda, então é como se estivesse roubando ao próprio Deus.

Com a chegada da cultura Ariana à Índia, no entanto, a presença de sacerdotes brâmanes colaborou para hierarquizar sectariamente a conexão do ser humano a Deus. A prática do eu-asceta foi substituída pela conformação do eu-ritual, encontrado nas mesas sacrificiais onde o sacerdote intermediava o contato entre Deus e ser-humano. 

A possessão divina encontrada no próprio corpo e na consciência do asceta, através de uma busca mística interior, foi substituída pela cerimônia ritual, que transmuta a relação indivíduo-Deus para uma atualização do contexto temporal. O objetivo da cerimônia sacrificial realizada pelo sacerdote era produzir alteração no conteúdo religioso do tempo, estimulando prosperidade, prudência, etc dentro do tempo cotidiano, e renovando a vida sobre a morte.

Se na sociedade holística o potencial divinatório é localizado no conjunto corpo-alma, que deve ser trabalhado em conexão com os auspiciosos objetivos da intencionalidade divina, na sociedade védica o sagrado é verificado não no corpo mas sim no próprio sistema hierárquico de castas, o qual tem na figura do sacerdote um pólo emanador de bênçãos contextualmente orientadas.

Vemos portanto como o asceta, sendo um indivíduo renunciador por excelência, consegue intensificar o sentimento de dependência existente entre a Consciência Divina e o Eu-Interior humano, estabelecendo a noção de criatura, que num processo de identificação mística produz a sacralização do ser humano em seu próprio corpo.