segunda-feira, 31 de outubro de 2016

"Ele viera ensinar aos homens que a verdadeira vida não é a que transcorre na Terra, e sim a que é vivida no Reino dos Céus; viera ensinar-lhes o caminho que a esse reino conduz, os meios de eles se reconciliarem com Deus e de pressentirem esses meios na marcha das coisas por vir, para a realização dos destinos humanos." O Evangelho Segundo o Espiritismo

Esta descrição nos informa sobre a trajetória de vida realizada por seres humanos Escolhidos, que têm como missão a transmissão de um conhecimento que aponta para a transcendentalidade da alma e superação da matéria, numa trajetória de vida que comumente registra uma série de provações morais. Isso se considerarmos apenas a mitologia judaico-cristã.   

domingo, 30 de outubro de 2016

trechos do conto "O professor de letras" (1894) de Anton Tchekov

[...]

E ele mirava o corpo pequeno e esbelto da moça sentada sobre o garboso animal branco, a sua silhueta esguia, o seu chapéu alto, que não lhe caía nada bem e a envelhecia, Nikítin mirava com satisfação, com ternura, com encantamento, ouvia sem entender muito bem e pensava: "Dou minha palavra de honra, juro por Deus que não vou ficar acanhado e hoje mesmo vou me declarar a ela...".

[...]

Sua carta começaria assim: "Minha querida ratinha...".
- Exatamente assim, "minha querida ratinha" - disse ele, e começou a rir.

[...]

"Após o casamento, todos se aglomeraram em desordem em torno de mim e de Mánia, as pessoas expressavam seu contentamento sincero, davam os parabéns, desejavam felicidades. O general de brigada, um senhor de quase 70 anos, cumprimentou apenas Maniússia e lhe disse, com voz envelhecida, rangente e bem alta, que ecoou por toda a igreja:
"- Minha querida, espero que depois do casamento você permaneça a mesma rosa que é agora."

[...]

Os dias mais felizes para Nikítin eram agora os domingos e os feriados, quando ele, da manhã à noite, ficava em casa. Nesses dias Nikítin tomava parte de uma vida ingênuo, mas extraordinariamente agradável, que lhe fazia lembrar os idílios pastorais. Observava sem cessar como sua Mánia, sensata e diligente, mantinha em ordem o lar, e ele mesmo, a fim de mostrar que não era supérfluo na casa, fazia alguma coisa inútil, por exemplo, rolava a charrete para fora do telheiro e a examinava minuciosamente. Às vezes, de brincadeira, Nikítin lhe guardava um corpo de leite; ela se assustava, pois seria algo irregular, mas ele, com um sorriso, a abraçava a dizer:

- "Pronto, pronto, eu estava só brincando, meu tesouro! Foi só brincadeira!"

[..]

Nikítin se deu conta de que, se os 12 rublos não lhe importavam, era porque não haviam custado nada a ele. Se fosse um trabalhador pobre, saberia o valor de cada copeque e não mostraria indiferença ao que ganhava ou perdia no jogo. Assim também a felicidade, raciocinou, lhe fora dada de graça, em troca de nada e, a rigor, era para ele um luxo tão grande quanto um remédio para alguém que não está doente; se ele, como a imensa maioria das pessoas, vivesse atormentado pela preocupação de ganhar o pão de cada dia, se tivesse de lutar pela vida, se as costas e o peito doessem de tanto trabalhar, esse jantar, essa residência aquecida e confortável e essa felicidade familiar seriam uma necessidade, o prêmio e o ornamento de sua vida; agora, havia nisso tudo um sentido estranho e obscuro.

- Puxa, como me sinto mal! - repetiu, compreendendo perfeitamente que esses pensamentos, por si só, já representavam um mau sinal.

[...]

Nikítin deu-se conta de que sua felicidade terminara, provavelmente para sempre, e que, na casa de dois andares, sem estuque, a felicidade já era algo impossível. Nikítin pressentiu que a ilusão se havia exaurido e que havia começado uma vida nova, nervosa e consciente, a qual não se conformava com a paz e a felicidade pessoal.

No dia seguinte, domingo, foi à igreja da escola e se encontrou com o diretor e os colegas. Pareceu a Nikítin que todos só se ocupavam em dissimular cuidadosamente a ignorância e o descontentamento com a vida, e ele mesmo, para que não notassem sua inquietação, sorria com toda simpatia e falava futilidades. Depois, foi para a estação e viu um trem postal chegar e partir; foi agradável ficar sozinho e  não ter de conversar com ninguém.

[...]

e escreveu no seu diário: "Aonde eu vim parar, meu Deus? Estou cercado de vulgaridade por todos os lados. Gente enfadonha, vazia, potes de cerâmica com creme azedo, jarras com leite, baratas, mulheres tolas... Não há nada mais medonho, mais ultrajante, mais deprimente do que a vulgaridade. Fugir daqui, fugir hoje mesmo, senão vou ficar louco!".


"mano, resumi um conto de várias páginas em alguns trechos. dá uma estima. daquele livro de capa roxa que caiu na tua mão!!"

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

[1915]

"O entusiasmo é uma grosseria.

A expressão do entusiasmo é, mais do que tudo, uma violação dos direitos da nossa insinceridade.
     Nunca sabemos quando somos sinceros. Talvez nunca o sejamos. E mesmo que sejamos sinceros hoje, amanhã poderemos sê-lo por coisa contrária.

Por mim não tive convicções. Tive sempre impressões. Nunca poderia odiar uma terra em que houvesse visto um poente escandaloso.

Exteriorizar impressões é mais persuadirmo-nos de que as temos do que termo-las."

domingo, 16 de outubro de 2016

Cultivando bons pensamento; na dúvida: cante santos nomes!

minha prudencia constante só é indício de que meu respeito e reverencia sao verdadeiros, e de que eu nao levo radha como garantida. a unica coisa que mudou é que agora eu sei que ela me quer. e eu sei mesmo. ela confirmou ao me beijar e depois ao perguntar "pq eu nao te veria?".

assim eu nao deixo a peteca cair e com prudencia amanha vou procura-la, com possibilidade dar a tortinha que ela gosta :)

Texto muito claro e de caráter terapêutico

eu reprimo meus sentimentos por medo de rejeição, e isso tem a ver com minha tendência a esquecer de mim e me doar demais pros outros. "doar" pq eu sempre quero criar uma situação idealmente perfeita e me esforço para tanto. e isso é um traste tambem pq eu me machuco muito facilmente quando as coisas acontecem e eu comparo/julgo. tanto é que eu tenho medo de arriscar e por isso surge minha hidra mental que impede a ação; e dai qnd eu arrisco eu fico extremamente vulneravel a altos e baixos - tudo ou nada, ser ou nao ser.

mas eu sei que isto tambem passa, e eu vou na psicologia da usp quarta feira para apresentar estas queixas.

eu, criança, entrego tudo isso a jesus e confio. quero me limpar disso que eu sinto e que nao é nada mais que minha raiz de sofrimento supondo desalinho com a realidade.
mas tudo isso nao é futil pq faz parte do meu darma: afinal eu estou na faculdade, descobrindo a mim e aos outros tambem. meu dom: comunicação, meu fardo: nao deixar minha pessoa implodir por excesso de empatia ( o que na verdade aponta para a tendencia de me importar com a opiniao dos outros para aprovação). tudo isso nao significa nada alem de que "eu estou no caminho certo", e confirma de bandeja que este nao é o caminho mais facil.

agradeço à ana pelos jantares e almocos mais apaixonantes de 2016 ate agora. "you're everything" return to forever na voz de flora purim.

eu quero olhar para as ruas e ver a alegria das coisas.
Quando fumo maconha eu fico tremendo, com a mente vacilando, e me isolo. Fico ruminando no pensamento tudo que já se passou, e planejando a temer tudo o que virá. 

Por que é que eu fumo maconha mesmo? 

Eu fumo maconha por cultura geral, e por algum efeito tênue que me envolve ao final da brisa.

O grande desnorteador verde.

Após os primeiros tragos, uma imaterial consistência pseudópode lança suas raízes no intestino e instala-se no ventre; expande-se no peito até o início da faringe e após ascender ao cérebro faz refém dos neurônios e assalta a mente envolvendo-a numas mil paranoias.

sábado, 15 de outubro de 2016

Depuração

As histórias fictícias de amor transmitidas pela literatura e novelas televisivas estão menos para inspiração mítica de amor supremo e sim para depuração do excesso de sentimentalismo presente na fértil imaginação do próprio escritor.


O autor do texto romântico compõe menos para inspirar jovens corações a buscarem seu amor ideal, e sim para esvaziar em palavras líricas a seiva bruta do sentimentalismo que transborda sua alma. Ele escreve para se livrar dos grilhões da idealização que, do alto da torre de todos os sonhos, lhe escravizam o sentimento. "Escrever é esquecer".

Mas, sem racionalizar que a literatura cria a realidade, o leitor-público, instado por uma realidade mais baixa que a do escritor, inspira-se no universo imaculado criado pela linguagem e, sem perceber, é hipnotizado por ilusões irreais.

O que de fato existe é a atração carnal de corpos humanos - olhares brilhantes, lábios sedutores, perfumes florais, calor e companhia humanos, mãos exploradoras e sorrisos magnéticos - o mais são amores supostos.